Analise
Gundam ZZ em análise: Quando a comédia se faz necessária.
sexta-feira, 17 de setembro de 2021 às 10:33

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Sobre o Autor: EXIA

Fã desde 2011 Conheçeu Gundam atraves de revistas especializadas em animes, sendo o primeiro Gundam que assistiria seria Gundam SEED.



E aí pessoal, aqui é o Exia! Depois de muito tempo sem trazer uma análise, hoje teremos uma sobre um anime que é, no mínimo, polêmico. O centro da análise de hoje será Mobile Suit Double Zeta Gundam, com o seguinte tema: A comédia da série era mesmo necessária?

Como sempre, antes de começar já deixo aqui dois avisos. Primeiro, esta análise é uma visão pessoal sobre o tema abordado, ok? Então se você não concordar, basta deixar a sua aí nos comentários, que vou ter o prazer de debater com todos. Segundo é que, como vamos comentar fundo na série, e lógico que teremos SPOILERS! Então, cuidado.

ENTENDENDO UM POUCO SOBRE A MENTE POR TRÁS DE ZZ GUNDAM

O que muitos não sabem, ou nem mesmo se interessam em saber, é o que aconteceu antes de ZZ Gundam, e como isso pode ter afetado a série. Também é bem comum que muitos não saibam que o grande Yoshiyuki Tomino não teve a sua estréia com a franquia Gundam, mas sim, alguns anos antes, trabalhando como diretor em séries sem nenhum mecha, e foi somente em Brave Raideen, e Zambot 3, que ele estreou como diretor em um anime de mecha.

Imagem do primeiro anime dirigido por Yoshiyuki Tomino, Umi no Triton de 1972, com história original de Osamu Tezuka.

Zambot 3 em si foi mediano, mas foi nele que o seu apelido mais conhecido foi cunhado, “Kill’ Em All, Tomino!”. Pelo fato dele trazer uma abordagem mais pesada a uma trama que quase sempre é vista por um público juvenil, além de trazer sempre discussões de temas nada convencionais para crianças, ficou conhecido por esta forma específica de escrever e dirigir obras. Antes de ZZ Gundam estrear nas telinhas, ele já havia dirigido e escrito muitas outras, como o Gundam clássico, Ideon, Dunbine e Zeta Gundam, todas sendo histórias com tramas pesadas, e com quase nenhum humor. Fora isso, seus trabalhos não paravam, um atrás do outro, junto a uma depressão pelo fato de seus trabalhos não estarem agradando os telespectadores, fez com que Tomino criasse uma “válvula de escape”, onde obras mais leves e descontraídas surgissem. Exemplos destas sendo Xabungle, L-gain, e chegamos ao próprio ZZ Gundam.

Da esquerda para a direita: Sentou Mecha Xabungle, Heavy Metal L-Gaim e Mobile Suit ZZ Gundam. Sendo assim, em ZZ, temos dois tipos de comédia. Uma delas, a sem noção, feita por Tomino para extravasar de seus problemas. Querendo ou não muitas cenas com esse tipo de comédia até que são legais. E o outro tipo, é a utilizada por Judau, para que o personagem seja desenvolvido como Tomino gostaria.

POR TRAZ DA COMÉDIA DE JUDAU ASHTA

Para quem conhece, e até mesmo para aqueles que nem mesmo viram ZZ Gundam, uma coisa sempre vai se destacar na série, um sentimento de aversão, e até mesmo ódio para com as cenas de humor que a história traz. Seu início foi, e continua sendo, um dos principais motivos para que muitas pessoas não assistam a série por completo. O que é um erro por parte delas, uma vez que ZZ possui ótimas cenas de ação, uma trama bem estruturada, e um ótimo desfecho. Sua principal trama está no protagonista chamado Judau Ashita, um garoto de 14 anos, que vive na colônia Shangri-la em Side 1, responsável pela construção de várias outras colônias que vieram depois dela, fazendo com que fosse esquecida após todo o processo de colonização espacial. Vivendo em uma colônia decadente, Judau, assim como seus amigos, lutam para sobreviver, e por isso preferem muitas vezes trabalhar nos lixões de sucata da colônia, a invés de ir estudar. Por ter crescido sem um pai ou mãe, Judau foca seus esforços em dar uma vida melhor para a sua irmã mais nova, Leina Ashta, que sempre é a pessoa que põe um basta em suas atitudes malucas.

Sendo um garoto inconsequente, Judau não vê a guerra de Neo Zeon como algo que o afeta diretamente, e também não tem bons relacionamentos com pessoas mais velhas (talvez pelo fato de seus parentes terem se mudado para conseguir emprego, e consequentemente não terem retornado). Isso tudo muda com a chegada da Argama e sua tripulação. Logo de cara Bright reconhece Judau como um possível Newtype em potencial, e imediatamente tenta recrutá-lo para a guerra contra Neo Zeon, o que seria considerado uma atitude quase que desesperada por parte dele. Judau não tem motivos para aceitar, mas o faz, pois vê nisso uma chance para roubar o Zeta Gundam, e obter rios de dinheiro. A partir daí, é só ladeira abaixo, a comédia rola solta, pois enquanto Bright tenta fazê-lo entender que a sua habilidade é necessária, Judau pouco se importa, e só busca dinheiro fácil - e se divertir o máximo que pode no processo.

Haaa o famoso meme da galinha...

A atitude de Judau é polêmica, mas, ao mesmo tempo, compreensível. Ele é um garoto de 14 anos que foi obrigado a trabalhar desde muito cedo para sustentar a irmã, e isso por si só, já deveria ter um efeito mais maduro em sua personalidade, o que não aconteceu. Ele prefere viver uma vida despreocupada, e ganhando seu dinheiro do que se importar com a guerra dos outros, que ele acredita nunca chegar a uma colônia esquecida. Em comparação, Amuro, o protagonista da série clássica de Gundam, foi obrigado a pilotar o Gundam RX-78-2, senão tanto ele, como seus amigos e conhecidos, seriam mortos por Zeon, o que não significava que Amuro se importasse com as reivindicações do Principado. Amuro lutou para proteger seus amigos. Kamille era o extremo oposto de Amuro, ele buscou a batalha contra os Titans desde o início, pois era inconformado com as coisas terríveis que eles faziam nas colônias. Kamille lutou contra a tirania e a opressão. Mas e Judau? Judau luta contra Neo Zeon por uma oportunidade de fazer um bom dinheiro no meio do conflito, além de tentar extorquir alguma grana da própria A.E.U.G por seus serviços. Viram a diferença?

Toda a trama descontraída de ZZ, em sua primeira parte, serve como um grande estopim para o início real da trama, que é sempre bem conhecida nas séries da franquia Gundam, a guerra, e como ela afeta pessoas que pouco, ou nada, tem a ver com ela. A primeira visão que Judau teve, de que a guerra poderia afetá-lo de forma negativa, foi bem no começo, quando teve seu primeiro contato com Kamille, em seu estado catatônico.

Vê-lo incapacitado daquela forma o fez ver que a guerra sempre será ruim, e com base nisso tenta se afastar ainda mais do conflito, tentando ganhar dinheiro e seguindo com sua vida. O seu segundo contato, porém, faz com que ele entre de forma definitiva no conflito, também cessando com suas brincadeiras. A morte de sua irmã no meio do conflito com Neo Zeon abre sua mente para o que acontece mundo afora, e o quanto isso afeta de fato a vida de todos. O seu maior objetivo, que era dar uma vida melhor para a irmã, se esvai, por causa de suas incertezas e infantilidades para com a situação da guerra. Conseguem ver? A trama de Judau sofre uma reviravolta enorme com a morte de sua irmã, e a principal culpa disso seria ele mesmo, que não levava as coisas a sério, uma visão muito interessante por parte do diretor Tomino. Até mesmo sua opinião, e seu modo de agir, mudam depois que a tragédia acontece, podemos ver isso quando ele se encontra com Elpeo Ple, que é tão sem noção quanto ele, e que, ao ver as suas atitudes e como ela trata a guerra de forma superficial, isso o incomoda, quase como se ele enxergasse seu próprio passado.

A COMÉDIA NONSENSE DE ZZ GUNDAM

Vamos entrar no tópico final da análise, e ver a comédia que Tomino trouxe para tentar amenizar os horrores da guerra (e de sua mente) no anime. É notável que o foco dela estava em algumas personagens específicas dentro da série. Logo no começo, temos Mashymre Cello, capitão da Endra, que tem como “centro de seu próprio universo”, a nossa querida Haman Karn, e faz de tudo para agradá-la, um legítimo “gado” dos dias de hoje.

Esse aqui desde o início já dava sinais de que não prestava…XD

Vê-lo na tela era garantia de que veríamos alguma coisa que nos arrancaria no mínimo um “É sério que esse cara fez isso? E essa rosa ai? Seloko caichoera”. A maioria das cenas envolvendo Mashymre são de comédia pura, e portanto, podem sim ter sido uma maneira de Tomino extravasar seus pensamentos ruins que o rodeavam rotineiramente. Outra personagem, que hoje em dia poderia até mesmo ser um palco para discussões, foi Chara Soon. Sua comédia se foca apenas em seu corpo volumoso, e como os personagens ao seu redor tentam lidar com ela, e seus desejos, algo que hoje em dia não seria bem-visto, e poderia ser classificado como uma personagem estereotipada, buscando somente a objetificação do corpo feminino. Porém, não posso julgá-lo, uma vez que o diretor Tomino, claramente não consegue ter uma forma de comédia clara, e quase sempre quando tenta deixar uma personagem feminina engraçada, é sempre pelos mesmos métodos. Ele tenta, mas não consegue escapar do bom e velho fan service sem motivo. “Ain Exia, mas ela tinha um motivo pra ser assim, ela não conseguia controlar seus sentidos Newtypes…”

Isso é conversa! Já vimos muitas outras personagens femininas Newtypes nas séries anteriores terem o mesmo problema, e nenhuma tinha esse descontrole. Então sim, a base da personagem e sua zueira, e focada em seu “descontrole”. Fora isso, como o assunto de Gundam sempre tem guerra, é meio difícil para quem trabalha com esse tema transformar a própria guerra em algo engraçado, por isso ele optou por trazer essas pitadas engraçadas focando em personagens específicos.

Sendo assim, posso concluir esta análise, até de uma forma bastante simples. A comédia trazida pelo diretor Tomino em ZZ possui duas vertentes completamente diferentes uma da outra, onde uma tem como objetivo amadurecer um personagem, e a outra, trazer uma leveza para a série. Razão essa que deve ser o principal motivo do descontentamento dos fãs, que estavam prontos para mais um dos banhos de sangue que Tomino proporciona em suas obras, assim como o fez logo antes, em Zeta Gundam. Os fãs da franquia esperavam por algo do mesmo calibre emocional, e foram surpreendidos, mais uma vez, por Tomino, surpresa essa que pode ser boa ou ruim, e vai depender exclusivamente daquele que vai assistir, ao aceitar, ou não, a visão que o autor quis em sua obra.

E é isso pessoal! O que acharam desta análise? Não concordou? Então deixa aí embaixo nos comentários a sua opinião, que iremos debatê-la com o maior carinho, ok? Até a próxima!

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